Respiração e Core

Uma respiração normal tem um papel poderoso no sistema musculoesquelético. A mecânica respiratória desempenha um papel fundamental em ambos  postura e estabilização da coluna vertebral. Muito além de simplesmente respirar corretamente durante a execução de um exercício de estabilização, uma mecânica respiratória deve estar intacta para manter uma postura normal e a estabilização da coluna vertebral. Em essência, uma interação dinâmica entre os músculos principais da respiração deve estar funcionando normalmente e, mais importante, o  programa motor normal  para a respiração deve ser um padrão subcortical  no sistema nervoso.

A mecânica respiratória é influenciada diretamente por:
1 fatores biomecânicos, tais como fixações das costelas  ou o clássico padrão cruzado de desequilíbrio muscular superior / inferior
2 qualquer fator biomecânicos que envolve o delicado efeito do PH no equilíbrio do organismo incluindo alergia, infecção, dieta pobre
3 fatores psicosocial tais como ansiedade, raiva crônica ou depressão.

“Se a respiração não é normalizada nenhum padrão de movimento pode ser”. Karel Lewit

 

A capacidade de manter uma cinta abdominal, enquanto continua a respirar é um mecanismo normal, que aumenta a estabilidade em momentos de necessidade. Isso ocorre subcorticalmente em resposta a necessidade de uma maior estabilidade durante as atividades mais exigentes, ex:. desferir um soco, um levantamento de peso, ou realizar um sprint curto, mas muitas vezes precisa ser treinado em pessoas com histórico de problemas nas costas. Isso difere da manobra de Valsalva, produzida quando prendemos a respiração geralmente após a inspiração, mas pode ocorrer sem levar em conta a fase da respiração quando a estabilidade é necessária em uma situação de emergência, ex:. um acidente de carro (26).

O diafragma desempenha um papel vital na estabilidade da coluna vertebral. Quando sua função é comprometida, a coluna é inevitavelmente afetada. E, claro, o inverso também é verdadeiro. Quando há disfunção muscular, como em dores no pescoço e nas costas, é muito comum também encontrar padrões respiratórios anormais. Uma respiração ineficiente contribui para o surgimento de dores na coluna vertebral. O diafragma, transverso do abdomen, assoalho pélvico, e os músculos profundos intrínsecos da coluna trabalham em harmonia com uma respiração ineficiente um afeta o outro o que inevitalmente traz efeitos sobre a estabilização da coluna. Quando o diafraga esta inibido, a movimentação normal das costelas é perdida ou alterada e também a habilidade dos músculos do CORE em manter a estabilidade da coluna.

 

Programas de Pilates que não treinam a respiração estão desta forma desrespeitando um dos princípios mãe do método que o CORE, e um dos objetivos conseguir com que o aluno mantenha com a pratica esta contração e coordenação entre respiração e estabilização do corpo como um todo. Não é uma tarefa fácil no começo, coordenar a respiração e os movimentos, manter a “acinta abdominal” ativada durante a inspiração e expiração, com o tempo a respiração vai deixando de ser um dos focos da atenção do aluno o que significa que provavelmente ela esta se tornando mais subcortical.

Na atualidade, também os programas de reabilitação contam com este treino, principalmente para evitar reincidivas e também para diminuir o tempo em que o paciente encontra-se na fase aguda, visto que o paciente passa a se proteger mais eficientemente e afasta movimentos defeituosos das área lesionada evitando lesionar mais ainda. O treino de atletas é primordial com que os mesmos mantenham esta coordenação, além de ganharem um padrão motor eficiente, os mantém mais eficientemente longe de lesões.

O que torna nosso treino um diferencial tanto na reabilitação quanto para o treino de atletas é exatamente este ponto de coordenação e ativação eficiente dos grupos musculares nos movimentos exigidos seja no dia ou nos momentos de mais demandas, exatamente o ponto que torna os atletas mais eficientes quando eles conseguem uma coordenação efetiva subcorticalmente na realização dos movimentos desportivos.

Uma pobre coordenação entre respiração e abdominal “bracing”( equivalente a cinturão abdominal) durante demandas aumentadas pode inibir toda a parede abdominal. McGill diz que uma baixa resistência cardiovascular pode ocasionar o sistema nervoso seletivamente manter a respiração em detrimento da estabilização. E quando ele cita resistência cardiovascular isso não é igual a treinar o condicionamento cardiovascular em uma esteira mas o treino eficiente dos padrões de ativação motores, até mesmo antes de treinos aeróbicos propriamente dito, para que não ocorra esta demanda e o sistema nervoso ative apenas a respiração como dito acima.

O estresse da vida moderna tem ocasionado de uma maneira generalizada a alterções na mecânica respiratória. Em um recente texto Leon Chaitow descreveu o impacto na saúde sobre este resultado “Disfunção respiratória é visto como sendo pelo menos um fator associado na maioria das pessoas cronicamente cansadas e ansiosas, e quase todas as pessoas sujeitas a ataques de pânico e comportamentos fóbicos, muitos dos quais também exibem vários sintomas músculo-esqueléticos”.  Normalmente a hiperventilação empregada aumenta os níveis de dioxido de carbono CO2 expirados, levando a uma alcalose respitória. A alcalose produz um senso de apreensãoe ansiedade que frequentemente levam a ataques de pânico e mudanças fóbicas o que aumenta a tensão muscular, espamos musculares, reflexos e significativamente aumentam a percepção da dor, luz e som.

 

Alvaro Alaor

Alvaro Alaor Pilates, SHIS QI 13 Bloco E salas 13/14, Lago Sul, Brasília. Fones: 61- 9383-3838

 

 


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