Qual a relação entre o emocional e dores na coluna?

 

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A relação entre o emocional e dores na coluna

 

Mudar a maneira como as pessoas pensam e se movem pode ter um enorme impacto sobre  suas experiências de dor na coluna vertebral.

 

As novas descobertas, publicadas no European Journal of Pain , mostram que uma abordagem personalizada e segmentada visando mudar as crenças de uma pessoa, os seus comportamentos e seus padrões de movimento podem reduzir significativamente a sua dor a longo prazo e seu tempo de licença do trabalho.

 

Dor nas costas persistente é um das mais incapacitantes desordens de saúde na Austrália.  Os autores do estudo analisaram dados de 121 participantes que sofrem de dor crônica inexplicável na coluna lombar, com idades entre 18 e 65 anos por um período de 12 semanas, sendo acompanhados após 12 meses. Um grupo controle também foi estudado.

 

O estudo, um ensaio clínico randomizado , envolveu um grupo recebendo terapia cognitiva funcional, que envolvia ouvir as experiências das pessoas com dor nas costas, em seguida, trabalhar com eles para mudar sua compreensão da dor nas costas e treinar-los a parar de fazer movimentos de proteção. O grupo controle recebeu terapias tradicionais, como a manipulação manual e exercício. O estudo constatou, por meio de terapias cognitivas e movimento que foi possível treinar as pessoas a pensar mais positivamente sobre suas coluna vertebral  e abandonar os movimentos instintivos de proteção que muitas vezes eram a origem da dor.

 

“O que nós entendemos a partir da literatura, é que muitas vezes o medo da dor faz com que as pessoas adotem movimentos de proteção e, como resultado os padrões de movimento das pessoas tornam-se realmente anormal agindo assim como um mecanismo de auto-mutilação”, disse o professor  O’Sullivan.

 

“Muitas vezes, esses hábitos são reforçados por bem intencionados profissionais de saúde. É como um vírus do pensamento que recebe as pessoas em apuros. Uma vez que você acha que você está vulnerável, você age de forma vulnerável, que em si gera estresse anormal na estrutura e provoca dor. Espera-se que os resultados possam trazer uma mudança na forma como os profissionais de saúde pensam e agem na gestão de pacientes com dor nas costas. Queremos que os profissionais de saúde  contem uma história diferente sobre a dor nas costas e incentivem as pessoas a não se preocuparem com exames,” disse o professor O’Sullivan. “Nós devemos dar esperança para essas pessoas  elas podem mudar e parar a abordagem de serem pessoas com dor.”  disse Dr. Michael Vagg que também disse que os resultados não foram surpreendentes para a comunidade de medicina da dor, que já havia incorporado abordagens psicológicas no tratamento da dor por mais de uma década. “Isso reforça os conceitos de educação e treinamento de habilidades cognitivas, além de exercícios prescritos como a melhor prática”, disse o Dr. Vagg, que não esteve envolvido no estudo. “Não basta apenas mudar o seu pensamento, ou fazer exercício de forma isolada  isso  não é tão eficaz como combiná-los em um programa estruturado de atividade e educação”, disse ele. “A evidência é bastante forte para a combinação de abordagens psicológicas e físicas seja a forma mais eficaz para melhorar a qualidade de vida na dor crônica.”

 

O Estúdio 

 

Sempre explicamos e enfatizamos esse mecanismo de auto-defesa natural que temos ao estarmos sentindo dor. E que esse mesmo mecanismo deve ser desestimulado o mais cedo possível, pois segundo as pesquisas, com este padrão deixamos de recrutar os músculos estabilizadores e passamos a adotar padrões de movimento incorretos. Este mecanismos perpetuando incorporamos o novo padrão de movimento incorreto o que é fonte novas lesões futuras.

 

Alguns alunos reclamam da dor e depois dizem que não damos bola por suas queixas: exatamente o contrario queremos quebrar este padrão de defesa e retroalimentação que mantemos diante de uma lesão, estimular padrões de movimento correto e estabelecer a confiança em um movimento saudável.

 

Outros tantos insistem que não podem fazer certos movimentos porque o profissional de saúde disse que estaria contra indicado, nesse ponto torna-se mais difícil ainda uma reeducação neuro motora porque a pessoa é retro-alimentada em suas inseguranças e medos.

 

O corpo busca proteger a área lesionada tentando “desligar” a musculatura associada mas a atrofia e fraqueza resultantes prolongam o tempo de recuperação a menos que o especialista em reabilitação tome as medidas apropriadas para reverter os efeitos adversos da inibição artrogênica. Em nosso cenário no Pilates temos todas as condições de remover os efeitos lesivos, reeducar, evitar que paciente irrite ainda mais as areas lesionadas, diminuir o tempo de recuperação e manter padrões de movimentos eficientes.

 

A pesquisa acima somente veio confirmar aquilo que nos profissionais do movimento, e muitos fisioterapeutas como eu, já sabíamos e já praticavamos, com grande dificuldade pois nem sempre isso é entendido pelo aluno (paciente) que já possui em sua cabeça o “você não pode”.  Nos esportes até bem pouco tempo atrás muitos tratavam o corpo e a mente como sendo unidades dicotômicas, o que resultou em programas de treinamento destinados a focalizar o corpo e a parte lesionada. A medicina esportiva esta se tornando mais holística. Tem sido reconhecido que o estado emocional do atleta é tão importante, ás vezes, mais importante que seu estado físico.

 

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Changing the way people think and move can have a huge impact on their experience of unexplained lower back pain, a study has found.

 

The new findings, published in the European Journal of Pain, show that a personalised and targeted approach aimed at changing a person’s own beliefs, behaviours and movement patterns can significantly reduce their pain in the long term and their time off work.

 

The study, a randomised trial, involved one group receiving cognitive functional therapy, which involves listening to people’s experiences of back pain then working with them to change their understanding of back pain and retrain them to stop making protective movements.

 

The study found, by using cognitive and movement therapies it was possible to retrain people to think more positively about their back and to abandon the instinctive protective movements that were often the source of pain.

 

Dr Michael Vagg, clinical senior lecturer at Deakin University School of Medicine and pain specialist at Barwon Health, said the findings were not surprising to the pain medicine community, which had incorporated psychological approaches in pain management for more than a decade. “It reinforces the concepts of education and cognitive skills training in addition to prescribed exercises as the best practice,” said Dr Vagg, who was not involved in the study. “Just changing your thinking, or doing exercise alone is not as effective as combining them into a structured program of activity and education,” he said. “The evidence is quite strong that combining psychological and physical approaches is the most effective way to improve quality of life in chronic lower back pain.”

 

Fonte:

Artigo Free Efficacy of classification-based cognitive functional therapy in patients with non-specific chronic low back pain: A randomized controlled trial

http://medicalxpress.com/news/2013-03-therapies-alleviate-pain.html

 

4 comentários em “Qual a relação entre o emocional e dores na coluna?

  1. Olá!
    Li com muito interesse sua matéria. Foram novas visões que vim recebendo ao decorrer da leitura.
    Sou uma das pacientes que usa o meio de defesa sim. Depois de 2 cirurgias, (hemilaminectomia (desenvolvi a síndrome pós) e uma artrodese) e há um ano o implante de um neuroestimulador medular, pode acreditar… busquei várias e várias outras formas/métodos antes de chegar a última. Minha coluna vertebral é inteiramente problemática. Já fiz artrodese na cervical (Um alívio há mais de 4 anos), a lombar como já contei, e a dorsal que já apresenta os sintomas das hérnias que antes só apareciam em exames.
    Os métodos pesquisados, não se aprofundaram na área psicológica. Mesmo porque essa terapia eu mesma fiz durante mais de 3 anos. Não é em um ano, que você modifica o padrão de pensamento sobre determinados assuntos numa pessoa.
    É claro que os músculos enrigessem a medida que são solicitados, e respondem ao comando enviando um sinal de dor. Há várias explicações físico-emocionais para isso. Nós sabemos.
    Meu problema com a coluna vem desde 2001, e desde então não tive mais uma vida comum, ou perto do normal. Além disso descobri que sou portadora da fibromialgia (uma consequência óbvia, para quem tem a predisposição, ou seja lá o que for, já que não sabem qual é a causa). Com a companhia dela, as coisas ficaram ainda mais difíceis.
    Mas não desisto nem sou triste por isso não!
    Tenho um trabalho de voluntariado para pacientes fibromiálgicos, e não reclamo da vida não. Eu tenho braços e pernas, ainda que com dor me levam e me trazem sem que eu tenha que depender de ninguém.
    Espero realmente que tais descobertas possam trazer o alívio tão esperado pelos pacientes com dores crônicas lombares crônicas. Só quem tem sabe !
    Muito legal saber sobre esse estudo. Tomara que prossigam com ele, e cheguem realmente ao fundo do problema,nos trazendo a solução definitiva para ele.
    Abraços,
    Sandra

  2. Oi Sandra que bom contar com você aqui.
    Dor não se discute é fato. E seu depoimento nos mostra claramente que você teve que passar a entender seu corpo, que sua mente influencia diretamente o suas “carnes” e que você precisa habitar sua casa que é seu corpo. Ao que parece hoje você tem um novo convívio com vc mesmo e percebe o fato emocional (mente) influenciando sua relação mundo/corpo/cinestesia. Meu conselho procure uma atividade física que te faça bem, Pilates pode ser uma delas, mas antes ache um excelente profissional que é imprescindível.
    Abraços
    Volte sempre ao nosso espaço

  3. Querido Álvaro , muito bom texto! Obrigada! É fácil assimilar uma leitura assim, após ter experimentado sua aula de Pilates. De fato, aprendemos a não valorizar a “dor”, mesmo a crônica , e sim a “acordar” a musculatura adormecida. A médica reumatologista da qual sou paciente, me disse textualmente : “Receba o Pilates como um método de vida!” E, enfatizou: “Ah, e para toda a vida!”… Quem sou eu para contradizê-la? Rs….bjs

    1. Sandra Cristina volta logo, bom saber de notícias suas. Realmente ela esta certa, esta sendo produzido um documentário sobre a vida do Pilates e os cineastas em entrevista falaram que a surpresa que tiveram ao entrevistarem professores e praticantes é que Pilates é uma forma de vida e que as pessoas sentem falta de fazerem o resto de suas vidas.

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