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Praticando saúde emocional

19/05/2016 - Fisioterapia e movimento
Praticando saúde emocional

PS: você pode acompanhar o vídeo com legendas em português e inglês, basta clicar quando começar o vídeo no quadrado com pontinhos a direita do vídeo embaixo.

Eu cresci com meu irmão gêmeo, ele era muito amoroso. Ter um irmão gêmeo faz de você um perito em perceber favoritismo. Eu reclamaria se o biscoito dele fosse um pouquinho maior do que o meu. Era evidente que eu não estava morrendo de fome. Risos

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Quando me tornei psicólogo, comecei a notar outro tipo de favoritismo, o quanto nós valorizamos o corpo mais do que a mente. Eu passei nove anos na universidade para conquistar meu doutorado em psicologia, e perdi a conta de quantas pessoas olham para o meu cartão de visitas e dizem: “Ah, um psicólogo. Não um médico de verdade”, como se isso devesse estar escrito no meu cartão. (Risos) Eu vejo em todo lugar essa preferência pelo corpo em detrimento da mente.

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Recentemente eu estava na casa de um amigo, e o seu filho de cinco anos se preparava para ir pra cama. Ele estava de pé num banquinho, perto da pia, escovando os dentes, quando escorregou e arranhou a perna no banquinho quando caiu. Ele chorou por um minuto mas então se levantou de novo, ficou em pé no banquinho e pegou uma caixa de curativos e colocou no machucado. Veja bem, essa criança mal sabia amarrar os sapatos, mas ele sabia que você tem que cobrir o machucado para não infeccionar, e você tem que cuidar dos seus dentes escovando-os duas vezes por dia. Todos sabemos como manter nossa saúde física e como praticar higiene bucal, certo? Sabemos disso desde os nossos cinco anos de idade. Mas o que sabemos sobre manter nossa saúde psicológica? Bem, nada. O que nós ensinamos aos nossos filhos sobre higiene emocional? Nada. Como pode? Passamos mais tempo cuidando dos nossos dentes do que da nossa mente. Por que a saúde física é muito mais importante para nós do que a saúde psicológica?

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Nós suportamos as feridas emocionais com mais frequência do que as físicas, feridas como fracasso, rejeição ou solidão. E elas podem piorar ainda mais se as ignorarmos, e elas podem impactar as nossas vidas de forma dramática. Ainda que haja técnicas comprovadas cientificamente e que poderíamos usar para tratar esses tipos de feridas emocionais, nós não as usamos. Nem mesmo nos ocorre que deveríamos usá-las. “Nossa, você está deprimido? Bola pra frente; é coisa da sua cabeça.” Imagine dizer isso a alguém com a perna quebrada: “Ei, bola pra frente; é só sua perna.” (Risos) Está na hora de fecharmos a lacuna entre nossa saúde física e emocional. É hora de torná-las iguais, como gêmeos.

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Falando nisso, meu irmão também é psicólogo. Logo, ele também não é um médico de verdade. (Risos) Mas nós não estudamos juntos. Na verdade, a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida foi cruzar o Atlântico e me mudar para a cidade de Nova Iorque para cursar meu doutorado em psicologia. Então, pela primeira vez na vida, nós nos separamos, e a separação foi difícil para nós dois. No entanto, ele permaneceu perto da família e dos amigos; eu estava sozinho em um outro país. Nós sentimos muita a falta um do outro, mas naquela época as ligações internacionais eram muito caras e nós podíamos gastar somente cinco minutos por semana. Chegou o dia do nosso aniversário, seria o primeiro que não passaríamos juntos. Decidimos esbanjar; naquela semana falaríamos por dez minutos. Eu passei aquela manhã andando pelo meu quarto, esperando ele ligar… E esperando… E esperando… Mas o telefone nunca tocou. “É a diferença de horário”, pensei. “Certo, ele saiu com os amigos, ele vai ligar mais tarde.” Não havia celular naquele tempo. Mas ele não ligou. E eu comecei a perceber que depois de estar longe por mais de dez meses, ele não sentia mais tanto a minha falta quanto eu sentia a dele. Eu sabia que ele ligaria pela manhã, mas aquela noite foi uma das mais tristes e demoradas da minha vida. Eu acordei na manhã seguinte. Dei uma olhada para o telefone, e percebi que eu o tinha tirado do gancho quando caminhava pelo quarto no dia anterior. Saí da cama meio que tropeçando, coloquei o telefone no gancho, e um segundo depois ele tocou, e era meu irmão, e, cara, ele estava indignado. (Risos) Foi a noite mais triste e longa da vida dele também. Eu tentei explicar o que aconteceu, mas ele disse: “Eu não entendo, se você viu que eu não liguei para você, por que você simplesmente não pegou e telefone e me ligou?” Ele estava certo. Por que eu não liguei? Eu não tive resposta na época, mas tenho hoje, e é uma resposta simples: solidão. [Solidão]

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A solidão gera uma ferida emocional profunda, do tipo que distorce nossas percepções e bagunça nossos pensamentos. Nos faz crer que os que estão à nossa volta se importam menos com a gente. Nos deixa com medo de nos aproximar, afinal porque se expor à rejeição e à mágoa quando seu coração já está mais dolorido do que você pode suportar? Eu estava numa solidão profunda naquela época, mas eu estava cercado de pessoas todos os dias, então isso nunca me ocorreu. Mas a solidão é definida como puramente subjetiva. Depende unicamente se você se sente emocionalmente ou socialmente desconectado dos que estão à sua volta. E eu me sentia. Existem muitas pesquisas sobre a solidão, e todas são assustadoras. A solidão não somente o tornará infeliz, mas ela irá matá-lo. Estou falando sério. A solidão crônica aumenta a possibilidade de morte prematura em 14%. Catorze por cento. A solidão causa aumento na pressão sanguínea, colesterol alto. Até mesmo compromete a funcionalidade do seu sistema imunológico, deixando você vulnerável a todo tipo de doenças e enfermidades. Na realidade, cientistas concluíram que, em geral, a solidão crônica representa risco tão grande para a sua saúde e longevidade tanto quanto fumar cigarro. Veja, o pacote de cigarro vem com alerta dizendo: “Isto pode matar você.” Mas a solidão, não. Por isso é tão importante que priorizemos nossa saúde emocional, que pratiquemos higiene emocional. Porque você não pode tratar uma ferida emocional se você nem mesmo sabe onde você está machucado. [Preste atenção a dor emocional] A solidão não é a única ferida emocional que distorce nossa percepções e nos engana.

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O fracasso também. [Fracasso] Uma vez eu visitei uma creche, onde eu vi três bebês brincando com brinquedos idênticos. Você tinha que deslizar o botão vermelho, para um cachorrinho fofo aparecer. Havia uma menininha tentando, ela puxava e empurrava o botão roxo, depois, ela se sentou e olhou para caixa com seu lábio inferior tremendo. O menininho que estava perto dela assistia o que estava acontecendo, então ele se virou para sua caixa e caiu em lágrimas sem nem mesmo tocar nela. Enquanto isso, outra garotinha tentava tudo o que podia até que ela deslizou o botão vermelho, o cachorrinho saiu para fora, e ela gritou de alegria. Temos três crianças com brinquedos idênticos, mas reações muito diferentes diante do fracasso. As primeiras crianças eram perfeitamente capazes de deslizar o botão vermelho. A única coisa que as impediu de obter êxito foi que suas mentes as enganaram fazendo-as acreditar que não poderiam. Veja bem, adultos se enganam da mesma forma, o tempo todo. De fato, todos temos um padrão de emoções e crenças que é acionado sempre que encontramos frustrações e contratempos.

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Você tem noção de como a sua mente reage ao fracasso? Você deveria ter. Porque se sua mente tentar convencê-lo de que é incapaz de algo e você acreditar nela, então, como aquelas duas crianças, você começará a se sentir sem forças e desistirá em pouco tempo ou nem sequer tentará. E ficará ainda mais convencido de que você não vai ter sucesso. Agora, você entende porque tantas pessoas agem abaixo de seu real potencial. Pois em algum lugar ao longo do caminho, às vezes um único fracasso as convenceu de que elas não poderiam ser bem-sucedidas, e elas acreditaram nisso.

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Uma vez que nos convencemos de algo é muito difícil mudar nosso pensamento. Na adolescência, meu irmão me ensinou essa lição do jeito mais difícil. Estávamos num carro com amigos numa estrada escura à noite, quando um policial nos mandou parar. Houve um roubo naquela área e eles estavam procurando por suspeitos. O policial se aproximou do carro e mirou a lanterna na cara do motorista, depois no meu irmão que estava no banco da frente, e em seguida em mim. Seus olhos se esbugalharam e ele disse: “Eu já vi a sua cara antes?” (Risos) E eu disse: “No banco da frente.” (Risos) Mas a resposta não fez nenhum sentido para ele. Então ele pensou que eu estava drogado. (Risos) Em seguida, ele me tirou do carro, me revistou, me levou até a viatura, e só quando ele verificou que eu não tinha ficha policial, é que eu pude mostrar para ele que eu tinha um irmão gêmeo no banco da frente. Mesmo quando nós estávamos indo embora, dava pra ver no seu olhar que ele estava convencido que eu tinha me safado de algo.

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É difícil mudar a nossa mente quando estamos convencidos de algo. Por isso é tão natural se sentir destruído desmoralizado depois de ter falhado. Porém, você não pode se deixar convencer de que você não pode ser bem-sucedido. Você tem que lutar contra essa sensação de incompetência. Você tem que tomar o controle da situação. E você tem que quebrar este ciclo antes dele começar. [Pare com o sangramento emocional] Nossas mentes e nossas emoções, não são os amigos confiáveis que pensávamos que eram. Eles são mais como aquele amigo bem temperamental, que pode te apoiar completamente num minuto, e ser bem desagradável no outro. Eu trabalhava para uma mulher que depois de 20 anos de casamento, e um divórcio bem complicado, estava finalmente pronta para o seu primeiro encontro. Ela tinha encontrado um cara on-line, ele parecia ser legal e bem-sucedido, e o mais importante, parecia estar mesmo na dela. Então ela estava bem empolgada, comprou um novo vestido, e eles então se encontraram num bar, em Nova Iorque, para um drinque. Dez minutos depois do encontro, o cara se levanta e diz: “Não estou interessado”, e vai embora. A rejeição é extremamente dolorida. [Rejeição] De tão machucada, a única coisa que ela conseguiu fazer foi ligar para sua amiga. Olha o que a amiga disse: “Bem, o que você esperava? Você tem um quadril enorme, você não tem nada de interessante para dizer, por que um homem bonito, bem-sucedido como aquele sairia com uma perdedora como você?” É chocante que uma amiga pudesse ser tão cruel, não é mesmo? Mas seria ainda menos chocante se eu dissesse que não foi a amiga que disse isso. Foi o que a mulher disse para si mesma. E isto é algo que todos nós fazemos, especialmente depois de uma rejeição. Todos nós começamos a pensar em todas as nossas falhas e nos nossos defeitos, o que queríamos ser, o que não queríamos ser, a gente se xinga. Talvez não tão severamente, mas todos fazemos isso. É até interessante fazermos isso mesmo quando nossa autoestima já esteja doída. Por que a gente pega e machuca ainda mais? Não tornaríamos uma ferida física ainda pior de propósito. Tendo um corte no braço, você não pensaria: “Já sei! Vou pegar uma faca e ver o quão profunda a ferida pode ficar.”

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Mas a gente faz isso com feridas psicológicas o tempo todo. Por quê? Porque nossa higiene emocional é precária. Porque não priorizamos nossa saúde psicológica. Sabemos, a partir de dezenas de estudos, que quando sua autoestima é baixa, você fica mais vulnerável ao estresse e a ansiedade; que fracassos e rejeições machucam mais e demora muito para se recuperar deles. Então quando você for rejeitado, a primeira coisa a fazer é ressuscitar a sua autoestima, e não bater até vê-la no chão. Quando você tem dores emocionais, trate-se com a mesma compaixão que você espera de um verdadeiro amigo. [Proteja a sua autoestima] Temos que pegar os nossos doentes hábitos psicológicos e mudá-los. Um dos mais antigos e mais comuns é o chamado ruminação. [Ruminação] Ruminar significa tornar a mastigar. É quando seu chefe grita com você, ou seu professor faz você se sentir um estúpido, ou você briga feio com um amigo e não para de passar aquela imagem de novo na sua mente por dias, às vezes durante semanas sem fim. Ruminar a respeito de eventos que te chatearam pode se tornar um habito, e é um hábito que sai caro. Pois ao passar muito tempo focado em coisas negativas que te aborrecem, você está, na verdade, se colocando em risco; desenvolvendo depressão clínica, alcoolismo, distúrbios alimentares, e até mesmo doenças cardiovasculares.

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O problema é que a necessidade de ruminar pode ser forte e parecer muito importante então se torna um hábito difícil de parar. Eu sei disso com propriedade pois, há pouco mais de um ano, eu mesmo desenvolvi esse hábito. Veja, meu irmão gêmeo foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin já no estágio 3. O câncer dele era muito agressivo. Ele tinha tumores visíveis por todo seu corpo. Ele teve que começar uma dura jornada de quimioterapia. E eu não conseguia parar de pensar no que ele estava passando. Eu não conseguia parar de pensar o quanto ele estava sofrendo, mesmo sem ele nunca ter reclamado, sequer uma vez. Ele tinha uma atitude positiva admirável. A psicologia emocional dele era incrível. E estava fisicamente saudável, mas emocionalmente eu estava uma bagunça. Mas eu sabia o que fazer. Estudos mostram que até mesmo dois minutos de distração é o bastante para quebrar a urgência de ruminar naquele dado momento. Assim cada vez que eu tinha um pensamento negativo ou que me aborrecesse, eu me forçava a pensar em outra coisa até que a necessidade passasse. E em uma semana, a minha perspectiva mudou por completo, se tornou mais positiva, mais esperançosa. [Combata o pensamento negativo] Nove meses após o início da quimioterapia, meu irmão fez uma tomografia, eu estava ao lado quando ele recebeu os resultados. Todos os tumores desapareceram. Ele teve mais três sessões de quimioterapia, mas nós sabíamos que ele iria se recuperar. Esta foto foi tirada duas semanas atrás.

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Uma vez que você tomar uma atitude em meio à solidão, mudar a sua resposta diante do fracasso proteger sua autoestima, lutar contra os pensamento negativos, você não só irá sarar suas feridas emocionais, você construirá resiliência emocional; você vai superar os obstáculos. Há 100 anos, as pessoas começaram a praticar higiene pessoal, e a expectativa de vida aumentou em 50% numa questão de décadas. Eu acredito que nossa qualidade de vida poderia aumentar drasticamente se todos nós começarmos a praticar higiene emocional.

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Você consegue imaginar como seria o mundo se todos fossem psicologicamente mais saudáveis? Se houvesse menos solidão e menos depressão? Se as pessoas soubessem como encarar o fracasso? Se elas se sentissem melhor consigo mesmas e mais capacitadas? E se elas fossem mais felizes e mais completas? Eu posso, porque este é o mundo no qual eu quero viver, e este também é o mundo no qual o meu irmão quer viver. E se você se tornar uma pessoa mais informada e mudar alguns hábitos, bem, este é o mundo que todos nós podemos viver.

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Muito obrigado.

saúde emocional

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