Modalidades terapêuticas

Um dos erros conceituais cometidos por estudantes e profissionais é pensar que a reabilitação é um processo pós lesão aguda. Profissionais tendem a organizar o tratamento de uma lesão, principalmente esportiva em fase de avaliação; fase de procedimento e fase de reabilitação e encaram estas fases como se fossem distintas uma das outras. Embora isso não esteja de todo errado, profissionais experientes tendem a pensar em todos os componentes do tratamento pós lesão como fazendo parte de processo contínuo da reabilitação. Leva-se em conta não somente a lesão mas o todo do conjunto biomecânico do corpo antes e após a lesão. Uma avaliação rápida e precisa leva ao inicio mais rápido do tratamento que por outro lado leva ao retorno mais fácil e rápido de suas atividades, e deve ser considerado no espectro a prevenção de reincidência. Essa visão da reabilitação como um processo contínuo é essencial quando o objetivo é fazer o atleta voltar o mais rápido possível as competições em um nível igual ou melhor antes da lesão.

Esse inter-relacionamento das fases podem alterar substancialmente o prognóstico da lesão. Técnicas terapêuticas apropriadas, aplicadas no tempo certo podem reduzir os fatores causadores de complicações como edema e a INIBIÇÃO NEUROMUSCULAR, que retardam o retorno do paciente as suas funções normais. As modalidades terapêuticas têm usos específicos para serem utilizadas em situações específicas e trazem poucos benefícios quando usadas em situações, hora ou técnicas erradas. Quando utilizadas da forma correta as modalidades são um complemento muito útil no processo de reabilitação, porém não o substituem, sendo otimista se as modalidades forem aplicadas de forma irracional tornam-se ferramentas ineficazes, levando a perda de tempo do paciente e do profissional.

O que são modalidades terapêuticas?

A maioria da população e dos profissionais reconhecem o ultra som como sendo uma modalidade terapêutica, mas poucos apontariam uma cirurgia como sendo uma. De forma simplista as modalidades são técnicas terapêuticas que inclui abordagens diferentes como cirurgia, medicação, aconselhamento psicológico, aconselhamento nutricional, biofeedback etc. As modalidades que são apropriadas para fisioterapeutas incluem principalmente agentes físicos como calor, frio, o som, a energia electromagnética, a massagem e a compressão. Para que um leigo entenda seria as bolsas de gelo e calor, o ultra-som, os “choquinhos”, dentre outras.

Um fato muito importante e tem que ser destacado é que estas modalidades são ferramentas e nunca o tratamento completo, e nunca devem ser usadas como sendo um programa completo de reabilitação. As modalidades ajudam à alcançar os objetivos, mas normalmente não alcançam a meta isoladamente. Elas devem estar associadas a outras técnicas de reabilitação (especialmente os exercícios) e não podem ser vistos como substitutas.

É comum confundir o uso de modalidades com a reabilitação. A modalidade pode ser parte, mas não equivale a ela. Por exemplo: usar apenas a massagem com gelo e alongamento para uma pessoa com tendinite não é o mesmo que usar um amplo programa de reabilitação que envolve neutralizar a inflamação, corrigir a biomecânica, aumentar a força, a resistência, a potência e limitar o uso excessivo.

Um programa de tratamento eficiente inclui: controle ou diminuição do processo de dor associado a lesão, recuperação total sem restrição de amplitude de movimento na parte lesionada, manutenção e melhora da força durante a amplitude total e retorno do controle neuromuscular.  Os exercícios terapêuticos que forçam a estrutura anatômica lesionada a realizar a função normal são a chave para o sucesso da reabilitação, porém as modalidades desempenham um papel importante na redução da dor e são úteis como complemento do exercício terapêutico.

Quando usar

A modalidade terapêutica deve ser usada com um objetivo específico. Não é incomum profissionais cometerem o erro de utilizarem uma modalidade sem ter em mente o seu objetivo específico ou não a interromperem depois que objetivo foi alcançado.

Amplos programas de reabilitação devem ser específicos para cada atleta ou paciente, e nunca devemos usar protocolos como “receita de bolo”. Por exemplo um protocolo para a a reabilitação de uma entorse de tornozelo faz muito menos sentido do que um protocolo baseado nas limitações e necessidades de seu paciente. Os pacientes que apresentam lesões similares não apresentam o mesmo conjunto de problemas e nem possuem os mesmos objetivos mecânicos um do outro, sendo assim, uma vez que os problemas são diferentes e as necessidades também os objetivos também serão, assim como o uso das modalidades terapêuticas.

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