Estabilidade do tronco

A falta de estabilidade (hipomobilidade) na coluna lombar é contrastada com a hiepermobilidade. Em ambas as condições a variação para a movimentação esta maior que o normal. Sendo assim, a instabilidade está presente quando ocorre uma variação excessiva e anormal do movimento sem que haja um controle muscular. Com a hipermobilidade, a estabilidade é fornecida durante o excesso de movimento por um completo controle muscular (Maitland 1996). A característica essencial da estabilidade é, portanto, a habilidade do corpo em controlar os movimentos na articulação, e neste caso na coluna lombar.

Quando a coluna lombar mostra instabilidade, ocorre uma insuficiência em manter um correto alinhamento vertebral. O segmento vertebral instável mostra uma diminuição do stiffness (resistência à flexão) e como conseqüência a movimentação fica diminuída. Clinicamente, com referencia a coluna lombar, esta descrição de instabilidade significa que não há danos na medula e nem comprometimento dos nervos e que não há nenhuma deformidade incapacitante. Devido a esta taxa de movimentação excessiva, estruturas sensíveis a dor podem ser esticadas ou comprimidas e a inflamação pode ocorrer (KirKaldy-Willis 1990, Panjandi 1992).

The three interrelating subsystems of spinal stability based on Panjabi

Para manter a estabilidade da coluna três sistemas são propostos. Suporte passivo é oferecido por tecidos inertes, enquanto que o apoio ativo é fornecido por tecidos contrateis. Feedback sensorial de ambos os sistemas fornece uma coordenação através do controle neural (Panjandi, 1992). Importante, quando a estabilidade fornecida por um desses sistemas é reduzida, o outro sistema provavelmente irá compensar esta falta. Logo, a proporção de carga tomada pelo sistema ativo pode aumentar na tentativa de diminuir o estresse no sistema passivo (Tropp et al, 1993). Isto ocasiona uma oportunidade para reduzir a dor e melhorar a função através de exercícios. Essa melhora pode ser obtida por aumentar tanto o sistema ativo quanto o sistema neural. Somente desenvolver fortalecimento muscular é ineficiente para este propósito. Logo, muitos dos populares exercícios de fortalecimento muscular para a coluna podem aumentar a mobilidade na região sendo muito perigoso. Em vez de melhorar a estabilidade, exercícios deste tipo podem reduzi-la, e, portanto, podem aumentar os sintomas, especialmente os associados à inflamação.

Em termos de estabilização da coluna, mais do que força nos músculos abdominais, é a velocidade com que eles reagem as forças que tendem deslocar a coluna que é mais importante (Saal & Saal 1989). Adicionalmente a habilidade do paciente em dissociar a função dos abdominais profundos também é vital, sendo estes abdominais profundos que possuem maior significado na estabilização. O músculo transverso do abdômen e obliquo interno são estabilizadores enquanto o reto abdominal e obliquo externo são considerados motores. Pacientes com dor lombar tem mostrado mais ativos em ativar o músculo reto do abdômen e obliquo externo. Isto provavelmente ocorre porque na tentativa de inibir a dor estes pacientes ao realizarem suas tarefas motoras usam de estratégias compensatórias (ativando os músculos superficiais). Estudos eletromiográficos demonstraram que os músculos estabilizadores do abdômen estão ativos em várias atividades, por exemplo, o transverso do abdômen é um dos músculos abdominais que mostram marcada atividade durante os movimentos de extensão do tronco, e ele não contrai apenas com atividades multi-direcionais do tronco, ele também está ativo e procede a contração de outros músculos (Cresswell et al. 1994). Hodges e Richardson (1996) mediram a ação dos músculos abdominais durante os movimentos de braço, e encontraram que os transverso do abdômen e o obliquo interno contraem antes dos músculos do braço aproximadamente 38.9 msec antes.

“An Integrated Model of Joint Function” as presented by Lee and Vleeming

No último congresso de Montreal, de Diane Lee e Vleeming Andrew, apresentaram como o seu mais recente modelo para a compreensão de estados patológicos na função articular. Ela reflete o modelo de estabilidade articular para a articulação SI desenvolvido pelo Vleeming e Snijder, que haviam sido apresentados em congressos anteriores, e que tinham combinado a estabilidade articular passiva com controle muscular ativo dos músculos “estabilizadores local”. No entanto, acrescenta o fator emocional e da consciência. Neste congresso ele relatou “Muitas vezes não é útil tentar descobrir quais os músculos são fracos ou tensos, em vez de compreender a dinâmica de orquestração de suas ações. Esta orquestra é regida pelo sistema nervoso central, e parece ser fortemente influenciada pelas emoções. Lembrando-nos que os sinais das palavras e movimento, que expressam melhor as emoções se dão no sistema motor, Vleeming sugere uma maior inclusão “de fatores psicossociais, a partir de uma perspectiva médica. Holstege mostrou que um centro neural no mesencéfalo, chamado PAG desempenha um papel fundamental na regulação da influência das emoções sobre o sistema motor. Esta área está fortemente ligada com o sistema límbico, e estimula mudanças na nocicepção, pressão arterial, vocalização, locomoção (salto e aprofundamento), micção, e lordose.

É de grande alento os pesquisadores agora estarem falando da influência do sistema emocional em nossas patologias. Eu, mesmo sem comprovação cientifica, sempre trabalhei pensando na influência do emocional aliada aos conhecimentos científicos tradicionais. O que para muitos nunca relatei, pois se torna uma grande inverdade dizer que aquela dor pode ter sido causada por um desvio ou uma compensação, mas que isso sobreveio somado a fatores psicoemocionais, ou dizer a um atleta que sua lesão por overuse teve influência do emocional nem sempre é (ou era) cabível. Estamos acostumados com resoluções fáceis, a tirar os problemas de nossas costas e jogar nos outros, o que quero dizer é que, podemos ouvir “estou aqui para me curar, e o responsável por isto é você”, a cura se da não porque eu terapeuta ou fisioterapeuta fez o protocolo certo, mas porque o paciente se envolveu e buscou sua auto cura, nesta de acreditar que eu sou o responsável, fui apenas o guia. Uma das coisas lindas que aprendemos no curriculum Polestar Education é a determinação de limites, o que significa dizer, que ensinamos as pessoas a ouvirem o seus corpos, a respeitarem os sinais que ele nos envia.

Holstege G, 1996: “The Somatic Motor System.” In: The Emotional Motor System (G. Holstege et al., eds.), vol. 107, pp. 9-26

5 comentários em “Estabilidade do tronco

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