Desordens intra articular no quadril de atletas, parte III.

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Impacto fêmur-acetabular
As dores provenientes das desordens no anel acetabular têm aumentando, e estas dores não sendo causadas por displasias , sugerem que a causa são os movimentos repetitivos que causam impacto da cabeça femoral no labrum acetabular, ou por outros motivos como aumento da cabeça do fêmur que esmaga o anel acetabular (Ito et al., 2001), Alem disso o aumento no ângulo na anteversão e retroversão femoral (Reynolds et al., 1999) que implica em impacto. Ross (1997) argumentou que o impacto femoro-acetabular e mais acadêmico, e que o impacto da bursa iliopectínea é mais provável. Sendo assim, o impacto na bursa ílio-pectínea também pode ser exarcebada pela extensão de quadril devido ao alongamento do iliopsoas ou devido uma flexão resistida do quadril comprimindo a busra ( Browing, 2001).

A diferenciação entre impacto e rompimento do labrum é difícil. Ambas têm similares etiologias. O impacto é precursor do rompimento do labrum. O impacto pode levar ao desgaste do lábio e posteriormente o seu rompimento (McCarthy, 2003). Os pacientes apresentam com dor na virilha que algumas vezes podem irradiar para as coxas (klaue et al., 1991; Reynolds et al., 1999). Geralmente uma agitação física aumenta a dor. A atividade comum que agrava são movimentos forçados de abdução associados com rotação em qualquer direção (klaue et al., 1991).

Os sinais de impacto envolvem movimentação passiva da coxa em flexão completa abduçãoe rotação interna. Esta combinação coloca a parte proximal e anterior da cabeça do fêmur em contato com anel acetabular, e indica os danos no anel e a dor é reflexo da ativação de nociceptores no labrum ( Ito et al., 2001). Este teste é similar ao teste Barlow usado para detectar instabilidade posterior em crianças, E hipotetiza um impacto provavelmente secundário a uma instabilidade na articulação do quadril.

Bellabarba et al, sugere um sinal consistente durante a deambulação que a abdução e rotação externa indicam instabilidade posterior. Eles discutem que durante uma marcha normal as forças do peso são distribuídas para a cúpula póstero-superior do acetábulo que esta posicionado superiormente durante uma marcha em posição normal, devido ao alinhamento correto da pelve. Logo a distribuição do peso na abdução e rotação interna facilita uma subluxação do quadril, na ausência de adequação nos tecidos moles posteriores. Rotação externa e extensão diminuiriam esta tendência para a subluxação posterior.

O exame da postura dos pacientes na maioria das vezes revela aumento da lordose lombar e da obliquosidade pélvica (Ito et al., 2001; Reynolds et al., 1999). Quando a pelvis é rodada anteriormente a retroversão funcional do acetábulo é maior, possivelmente aumentando o risco de impacto ântero-superior no anel acetabular durante a realização de atividades funcionais. Em adição, certas anormalidades biomecânicas conduz para o impacto, como pé varo, genu valgo, discrepâncias no comprimento das pernas e retroversão femoral.

Tratamento
O tratamento conservador para o impacto envolve mudanças no estilo de vida para evitar atividades agravantes. Também, drogas não esteróides antiinflamatórios, diminuir o peso corporal ou realizar transferências de peso protegidas, gravar a coxa em abdução e rotação externa abordando falhas biomecânicas, controle motor e estratégias para melhorar.

Correção de falhas biomecânicas, treino do sistema neuromuscular em especial o mecanismo de abdução do quadril devem ser usadas. Marti et al, hipotetizaram que a fadiga muscular devido a corridas com longas distâncias e de ritmo rápido diminuem a capacidade de absorver impactos nas articulações. Assim, Mizrahi et al, uma piora na coordenação muscular com pioa no controle de sinergia sendo responsável pela diminuição na absorção de impactos.

Disfunção neuromuscular na abdução do quadril levam a uma excessiva e anormal recrutamento de movimentos acessórios e na inabilidade em contra balançar o peso do corpo quando estamos sobre uma perna (Sims, 1999). A ativação muscular para abdução do quadril consiste em glúteo médio, glúteo mínimo, tensor fáscia lata e banda iliotibial, e parte superior do glúteo Maximo (Neuman and Hase, 1994). Uma mudança neste mecanismo de abdução reduz o suporte muscular e aumenta a contribuição do tensor da fáscia lata o que ocasiona maior carga nos ligamentos e capsulas do quadril.

O aumento na contração do tensor da fáscia lata e banda iliotibial também causam uma translação da cabeça femoral, isto possui duas conseqüências. Primeiramente, na opinião do autor, aumenta a deformação na cápsula posterior da articulação do quadril levando uma translação posterior da cabeça do fêmur. Isto ocasiona uma instabilidade posterior, com anterior ou ântero-superior impacto fêmur – acetabular durante a rotação interna do quadril. Segundo, durante a flexão de quadril, a fraquesa na cápsula posterior e o piriforme podem levar a uma translação da cabeça do fêmur anteriormente (Sims, 1999).

Quando as medidas conservadoras falham, cirurgia para alterar a retroversão do acetábulo ou artroplastia total do quadril (Ito et al., 2001 Reynolds et al., 1999) é a sugestão de tratamento.

ALVARO ALAOR

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