Culto ao corpo: beleza ou doença?

Atire a primeira pedra quem nunca se viu cometendo o pecado da vaidade. Quantas vezes você não se olhou no espelho e pensou que algo poderia ser melhorado em sua aparência? Pois é, a vaidade é, até certo ponto, o que se poderia chamar de “pecadinho leve”, que não faz mal a ninguém, e até pode ajudar em certos aspectos da vida do indivíduo, ela pode ser aquela força motriz que te leva a agir e não se tornar um sedentário,  pode te ajudar na melhora da auto-estima,  e na melhora nas relações interpessoais.

Entretanto, como tudo na vida, pode sair da linha da normalidade. Tudo em excesso pode ser prejudicial, a vaidade não foge a regra. E pior ainda, pode até ser patológica, quando a dita vaidade excessiva passa a dominar a vida e os pensamentos da pessoa.

Eu confesso ter sentido uma certa tristeza ao ouvir que mulheres de meia idade  estão usando um CHIP,que necessita comprovação científica e que não se conhece os efeitos futuros. Triste sociedade doente. O que elas buscam  ter?  Um corpo de garotinha, toda bombada? Elas não estão se escondendo delas mesmo e do mundo, colocando uma espécie de máscara corporal?

Nada mais falso, feio e sem graça do que olhar uma pessoa de meia idade a idosa com roupas e comportamentos de adolescentes (ambos os sexos) . Desejo que mais Claire Underwood, cinquentonas, decididas, resolvidas de seu papel, seguras de sua função na sociedade e família possam ficar cada vez mais na moda. E que aquelas que buscam uma máscara corporal possam buscar o tratamento certo que aposto quase 100% de não ser suplementos e CHIP para aumentar massa muscular.

Faço uma brincadeira aqui e me digam quem vocês acham mais interessante a foto 1 ou foto 2. Pode ser que as duas sejam interessantes mas para qual função?

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Foto 1 retirada do Estadão by André Dusek

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Foto 2 Clare Underwood

Claire Underwood é uma personagem da série House of Cards, Netflix.

Escolheu qual a sua preferida?

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Existe uma doença chamada de Dismorfia Muscular um transtorno recentemente descrito tem por característica principal alterações na percepção da auto imagem, preocupações irracionais de possíveis imperfeições na aparência, de modo acentuadamente excessivo e desproporcional a realidade, gerando importantes prejuízos no funcionamento pessoal, familiar, social e profissional.

Acredita-se que a dismorfia muscular ocorre devido a uma baixa auto estima, insatisfação e distorção da aparência do corpo, associadas a fatores biológicos e sociais. A distorção da percepção da imagem  corporal juntamente  com afeto negativo, baixo autoestima e pressão da mídia são pensadas como a base das condições necessárias para o desenvolvimento da DM.

Segundo Mariangela Gentil Savoia, o Transtorno Dismórfico Corporal é um novo nome para uma velho transtorno. Segundo Warwick (1996), tem sido descrito nas literaturas européia e japonesa por uma variedade de nomes, sendo o mais comum dismorfofobia, termo utilizado por Morselli pela primeira vez há 100 anos (1886). Embora esse termo seja usado de diferentes maneiras, é definido como um sentimento de feiúra ou defeito físico que o paciente percebe a despeito de sua aparência normal.

 

O termo dismorfia é uma palavra grega que significa feiúra, especialmente na face. A primeira referência aparece na história de Herodutus, no mito da garota feia de Esparta, que era levada por sua enfermeira, todos os dias, ao templo para se livrar da sua falta de beleza e atrativos.

Atualmente o Transtorno Dismórfico Corporal é considerado uma doença específica e autônoma pelas classificações internacionais. Apesar disso, desde o final da década de 90, Hollander e cols. acertadamente observam a forte interseção desse quadro com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e, assim, sugerem sua inclusão no chamado Espectro Obsessivo-Compulsivo

Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo

1.- Transtorno Obsessivo-Compulsivo

2.- Transtorno Dismórfico Corporal

3.- Transtornos Alimentares

3.1- Vigorexia

3.2- Anorexia

3.3- Bulimia

4.- Transtorno do Controle dos Impulsos

4.1- Tricotilomania

4.2- Transtorno de Tique

4.3- Síndrome de Toureute

4.4- Sexo Compulsivo

4.5- Jogo Compulsivo

4.6- Piromania

4.7- Compulsão para Compras

4.8- Compulsão à Internet

 

Adolescentes, adultos jovens e idosos buscam uma imagem perfeita, não medindo consequências para o alcance dos seus objetivos. Tornam- se criaturas servis desse mundo de poder da imagem, e todos querem a melhor academia, a melhor roupa esportiva ou social, o perfume mais caro e importado, as grifes, o melhor carro e o melhor corpo; um corpo musculoso adquirido através do consumo de substâncias, um corpo sem gordura, com pele lisa, sem espinhas, sem estrias, sem rugas e até sem pelos. Essa é a chamada era da estética, muitas vezes com procedimentos sem nenhuma ética.

O nosso corpo é um centro de informações para nós mesmos e para o mundo que nos cercam. É uma linguagem que não mente, cujas estruturas se amarram, apertam, esticam, se soltam.A imagem corporal exerce papel mediador em todas as coisas, desde a escolha de vestimentas, passando por preferências estéticas, até a habilidade de empatizar com as emoções dos outros. Pode-se dizer que a identidade humana é inseparável de seu substrato somático. Qual imagem você deseja passar de você mesmo? 

“É preciso resgatar valores. Mostrar aos jovens suas habilidades internas e promover o resgate da prudência para sensibilizá-los a manter sua saúde integral e seu potencial de crescimento e desenvolvimento físico. Orientar os jovens que viver é muito mais que ter, consumir e adquirir bens. O importante é Ser e não Ter ou Parecer. Viver é buscar, entender e dimensionar aquilo que nos caracteriza como seres humanos. É preciso pensar… questionar… ter consciência crítica… refletir.

 Só assim poderemos usufruir da liberdade que traduzo como consciência de limites. Livres, conduziremos nossas vidas”.

Abaixo alguma matérias falando sobre o CHIP para tornar as pessoas hipertrofiadas.

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Mulheres ‘chipadas’ preocupam médicos (estadão)

Implantes sucutâneos liberam hormônios que queimam gordura e aumentam a massa muscular

 

BRASÍLIA – Dieta e rotina diária de exercícios já não bastam. Em busca de um corpo definido e com pouca gordura, muitas mulheres passaram a recorrer a implantes subcutâneos de hormônios.

 

 

 

É nas academias de ginástica que a mania se espalha. Vendo no aparelho ao lado uma mulher com a imagem considerada ideal e com força de fazer inveja, inevitável perguntar a receita e ir atrás do milagre. Mas se a tática para algumas têm o efeito esperado, para outras traz consequências desastrosas.

“Virou uma febre: todas querem ter o corpo das chipadas, como são chamadas as mulheres que colocam os implantes”, conta uma publicitária de Brasília de 22 anos que não quis ter seu nome revelado. Há um ano e meio, ela resolveu aderir à técnica. Nos primeiros meses, tudo correu como esperado: mais músculos, menos gordura. Mas bastou ela ter de fazer uma cirurgia para tudo desandar.

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Passado um ano, ela estava às voltas como um grave problema de pele, queda de cabelo, vários quilos a mais e o rosto irreconhecível de tão inchado. Nesse meio tempo, duas idas ao médico responsável pela colocação do implante. “Ele pedia para eu ter paciência, mudou a dosagem, mas desisti de esperar. Tudo que ganhei nesse período foram três cicatrizes e muita dor de cabeça.”
Sob a pele. Especialista em nutrição esportiva e metabolismo em Brasília, Clayton Neves Camargos diz ter aumentado o número de pessoas que chegam a seu consultório reclamando dos efeitos do hormônio. Principalmente mulheres. “O equilíbrio hormonal se rompe, problemas até então nunca imaginados aparecem. Além disso, não sabemos qual o efeito do uso dessas drogas a longo prazo”, observa.

Inicialmente indicada por um grupo de médicos para mulheres que tentavam fugir da tensão pré-menstrual, a técnica consiste em colocar embaixo da pele pequenas cânulas que secretam uma dosagem de hormônios suficiente para provocar a interrupção do ciclo menstrual.
Depois de um tempo, notando que algumas mulheres ganhavam mais facilmente músculos e ficavam bem dispostas, a técnica passou a ser usada para estética. Entre os hormônios usados está a testosterona, conhecido como masculino, mas que também é encontrado, em menor quantidade, nas mulheres.
“O uso da testosterona é importante em casos específicos: mulheres com baixa produção, principalmente no período pós-menopausa”, diz o ginecologista Jefferson Drezett. “Com finalidade estética, não recomendo. Os efeitos colaterais são muitos.” Entre eles, alteração na voz e no sono e aumento de risco de doenças cardiovasculares.
Três tipos de implantes hormonais estão registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Todos com finalidades precisas, longe da questão estética. O fato de um médico prescrever a droga apenas para ganho de massa muscular não caracteriza uma infração. Mas, segundo a agência, o uso off label (que vai além daquele determinado em bula) é feito por conta e risco do profissional que o prescreve. Se estiver incorreto, ele pode eventualmente caracterizar erro médico.

Particularidades locais

No Brasil, o uso dos implantes ganha especial proporção porque, além dos chips importados – como o Implanon, da Organon –, existem os implantes preparados pela farmácia de manipulação do endocrinologista Elsimar Coutinho, em São Paulo. Formado em farmácia e depois em medicina pela Universidade Federal da Bahia, Coutinho atua com reprodução humana há cerca de 50 anos. Durante sua carreira, desenvolveu anticoncepcionais masculinos e femininos e reclama para si a autoria desses implantes. “Eu criei o implante quatro décadas atrás e não pude patentear.”

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo também não recomenda o uso de implantes hormonais para fins estéticos, uma vez que se desconhecem muitas reações e os riscos para algumas doenças poderiam aumentar. A indicação de hormônios para a finalidade estética de conter o envelhecimento, aliás, está proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde outubro passado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aprova a comercialização de gestrinona e elcometrina em farmácias. Mas é permitido importar os sais para fabricação de produtos no Brasil.

A classe médica teme que o “bem-estar” das mulheres com implantes tenha um efeito próximo ao dos anabolizantes usados nas academias, que cobram seu preço mais tarde.

Alvaro Alaor 

Alvaro Alaor Pilates SHIS QI 13 Bloco E salas 13/14, lago Sul, Brasília Fone: 61- 9385-3838

 

Fonte

http://revistas.rcaap.pt/motricidade/article/viewFile/240/207

http://megillasrivkah.blogspot.com.br/2011/07/dismorfismo-o-monstro-no-espelho.html

http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=287

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,mulheres-chipadas-preocupam-medicos,770917,0.htm

 


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