As mulheres lesionam mais que os homens?


 Estudos recentes sugerem que certos tipos de lesões das extremidades inferiores são encontradas mais frequentemente em mulheres especialmente no joelho, e principalmente no Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Atletas que participam de esportes que envolvem saltos, corrida e corte (futebol, basquetebol, voleibol, ginástica, etc) têm um risco de lesão no joelho que é 4 a 6 vezes superior à dos homens que participam no mesmo esporte. A maioria dessas lesões ocorrem por mecanismos não-contato, na maioria das vezes durante a aterrissagem de um salto. Programas de prevenção têm sido realizados e bem sucedidos mas a incidência ainda é alta. Estas lesões não são casos aleatórios em vez disso eles ocorrem em padrões que refletem causas subjacentes. Entender os fatores subjacentes que causam risco é importante para o desenvolvimento de estratégias de intervenção e para identificar aqueles com risco aumentado de lesões.

Por que ocorrem ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), e por que elas acontecem com maior freqüência no sexo feminino?

Para compreender o rompimento do LCA e sua preferência por atletas do sexo feminino, primeiro você precisa saber que o LCA é um ligamento de tecido conjuntivo que estabiliza a articulação do joelho e se conecta posteriormente no fêmur (osso da coxa) com a parte anterior da tíbia. Os ligamentos cruzados fornecem suporte e guiam os movimentos de rotação na articulação do joelho. Basicamente, o LCA impede a hiperextensão do joelho, limita a tíbia de um avanço excessivo durante a flexão do joelho, e controla a rotação interna da tíbia. Os cenários que levam à lesão são variados, contudo, muitos especialistas acreditam que a maioria das lesões do LCA ocorrem não como resultado de colisões, mas após a aterrissagem de um salto ou um passo prolongado e explosivo. Embora as colisões não sejam tão importantes como outros mecanismos de lesão eles podem criar confusão. Por exemplo, alguém poderia colidir com você, batendo em sua perna, perto do joelho, enquanto o seu pé esta fixo no solo. O movimento brusco da tíbia que resultaria poderia lesionar o LCA Alternativamente, você pode pisar no pé de alguém após saltar durante uma partida de basquete ou vôlei, fazendo uma hiperextensão do joelho; hiperextensão súbita no joelho pode facilmente romper o LCA, se você causar sérios danos ao seu LCA durante alguma atividade, muitas vezes você vai ouvir um ‘pop’, quando ocorre a lesão, edema seguirá quase que imediatamente. Além disso, o joelho em si tende a ser bastante instável, geralmente “cedendo” durante a sustentação de peso.

Por que as mulheres correm maior risco de problemas no LCA?

A razão não é clara. Vários fatores são responsáveis pelo rompimento LCA. Um dos principais para a discrepância de gênero parece ser dinâmico e proximal. No entanto, é a dinâmica de movimento do quadril e os padrões de posição do joelho com flexão aumentada e a forma de ativação muscular proximal para manter o corpo em posição de pouso seguro, que são os fatores mais críticos. As mulheres não flexionam seus joelhos tanto quanto os homens durante a corrida e quando aterrissam de um salto. Além disso, a fossa intercondilar (uma brecha pequena na parte inferior do fêmur através do qual passa o LCA) tende a ser menor nas mulheres que nos homens. Qualquer desgaste do LCA tendem a ser mais graves em atletas do sexo feminino porque o LCA no sexo feminino é geralmente uma estrutura menor. A pelve feminina é maior e tende a exagerar o ângulo formado no joelho entre o fêmur e a tíbia, quando o pé esta fixo no chão, aumentando a pressão para dentro do joelho e rotação externa da tíbia e, assim, colocando uma ênfase excessiva no LCA. A postura e o alinhamento de membros inferiores (quadril, joelho e tornozelo) podem predispor um indivíduo á lesão do LCA, o alinhamento de toda a extremidade inferior deve ser considerada como fator de risco para a lesão. Infelizmente, poucos estudos têm estudado o alinhamento de toda a extremidade inferior e determinado como ela está relacionada ao risco de lesão. Ainda mais interessante é a teoria de que o LCA é mais frouxo nas mulheres que homens – e, portanto, presumivelmente mais suscetível. Existem receptores de estrógeno e de progesterona sobre o LCA e a teoria sugere que os aumentos de um ou ambos desses hormônios pode afrouxar o LCA, aumentando o risco de lesões. É sabido que os ligamentos de uma mulher tende a soltar-se, como resultado das alterações hormonais associadas à gravidez, assim, esta teoria não é um exagero. Parece haver um consenso na literatura que o risco da lesão não permanece o mesmo durante todo o ciclo menstrual, sendo maior na fase pré-ovulatória. O efeito estabilizador dos contracepitivos orais sobre o perfil hormonal feminino e nosso entendimento do seu impacto sobre a, lesão tecidual ou o desempenho ainda está para ser definido. Não há provas conclusivas de que os contraceptivos orais têm um efeito protetor especificamente contra a lesão do LCA . O Comitê Olímpico Internacional recomenda que todos possam participar na luta para evitar a lesão do LCA. Aumento substancial e apoio da comunidade, da medicina esportiva, bem como do mundo do desporto é necessário para garantir o sucesso nesta batalha para que as lesões do LCA sejam erradicadas ou, pelo menos, substancialmente reduzida. Relembrando, resumidamente os fatores de risco são:

1) estando em fase pré-ovulatória do ciclo menstrual em comparação com a fase pós-ovulatória,

(2) tendo diminuído a largura da fossa intercondilar na radiografia simples,

(3) aumento do varismo (espécie de X formado nos joelhos) durante o impacto na aterrissagem.

Bem concebidos programas de prevenção reduzem o risco de LCA para os atletas, especialmente as mulheres.

Pilates como programa reabilitação e prevenção.

Programas de reabilitação além de resolverem comprometimentos, devem incluir exercícios terapêuticos para alterar fatores que possam levar a lesão. Embora isso não possa alterar a estrutura, é necessária a normalização dos problemas mecânicos e neuromusculares para diminuir a possibilidade de reincidência da lesão. A prevenção e reabilitação das lesões tem como um dos focos o trabalho do “core” que também é um pilar mestre no método Pilates, além da ênfase em alinamento e na adoção de uma postura correta. O método melhora a agilidade motora, a eficiência no recrutamento muscular, correta ativação muscular, força, flexibilidade, coordenação, agilidade, resistência, equilíbrio e propriocepção e principalmente educa os atletas e praticantes a respeitarem seus limites. O treinamento do “core” melhora o alinhamento dinâmico das extremidade inferiores, produz movimentos mais eficientes e mantém o centro de gravidade sobre a base de sustentação. A otima função do “core” envolve mobilidade e estabilidade do tronco. Quando o “core” esta funcionando adequadamente são mantidas relações adequadas de comprimento/tenção nos músculos, permitindo que o atleta produza movimentos fortes e seguros nas extremidades, um “core” fraco pode afetar a postura exercebando fatores que contribuem para lesão. Alguns princípios devem ser seguidos no programa de reabilitação e prevenção de lesões do LCA com objetivo de produzir melhores resultados. Primeiro, o programa de treino deve ser sistemático e a cada fase do treino objetivos devem ser alcançados. Segundo, o programa deve ser progressivo. Isso inclui evoluir os exercicios de ums só plano para multiplanares, de lentos para rápidos, de movimentos sem resistência para movimentos com resistência, de ausência de movimentos nos membros para adição de movimentos nos membros e de posições na horizontal para vertical. Finalmente, e principalmente o pragrama deve ser funcional.

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