Estamos sendo eficientes em realizar exercícios abdominais? (parte III)

J. PEDRO MARTINS

Durante a maioria das atividades de vida diária, o papel dos músculos abdominais esta em proporcionar um suporte isométrico e limitar o grau de rotação do tronco. Grande parte dos problemas na coluna lombar deve-se ao fato dos músculos abdominais não exercerem controle rigoroso sobre a rotação entre a pelve e coluna ao nível segmento L5-S1. Além disso, eles não conseguem impedir uma inclinação anterior excessiva da pelve, nas atividades que envolvem os músculos dos membros inferiores. Em outra mão, o encurtamento ou rigidez destes músculos contribuem para inclinação posterior da pelve e flexão da coluna lombar (perda da lordose, tendendo ficar chapada).

A escolha para os exercícios abdominais que envolvem flexão do tronco resume-se na maioria das vezes, a escolha entre os exercícios que podem ser executados sem perigo e o exercício ideal para melhorar o desempenho muscular. É comum vermos as pessoas realizarem os exercícios abdominais, com as mãos atrás da cabeça; esse é o grau mais difícil porque o centro de gravidade encontra-se em posição mais alta que se os braços estivessem suspensos anteriormente ou ao lado dos corpo.

As flexões diagonais precisam ser realizadas, com baixa amplitude, envolvendo apenas a coluna torácica, caso contrario, ele terá efeitos nocivos. A rotação da coluna lombar traz mais perigos que benefícios. A estabilização da coluna lombar é uma parte muito importante no programa de quem possui dores lombares. Alguns pesquisadores consideram o controle como o aspecto mais importante da estabilização, que depende mais do padrão de ativação, do momento e da resistência da musculatura que da força adquirida com exercícios inespecíficos de flexão de tronco.

Os músculos abdominais são os únicos capazes de se opor às forças e ao estresse que podem levar a coluna lombar á extensão (aumento da lordose), bem como reduzir as forças de cisalhamento que sobre eles incidem.

Alvaro Alaor
foto: J. Pedro Martins

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