A saúde é um bem, não um direito.

A saúde é um bem, não um direito
por Ron Paul

 

N. do T.: a destruição da economia americana, já acelerada sob o governo Bush, vem sendo intensificada pela administração Obama.  Um projeto em votação no Congresso americano nesse momento pretende socializar toda a medicina daquele país, transformando-a num imenso SUS.  Ron Paul, obviamente, é uma das poucas vozes que se levantam contra a tragédia iminente. O que ele prevê para os EUA já é algo recorrente em nossos hospitais públicos.

 

 

O filósofo político Richard Weaver famosa e corretamente declarou que ideias têm consequências.  Peguemos, por exemplo, o debate que opõe bens a direitos.  O direito natural afirma que as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade.  Um bem é algo pelo qual você trabalha e, com os proventos desse esforço, adquire.  Esse bem pode, por exemplo, ser uma necessidade, como comida; porém, em nossa cultura, cada vez mais os “bens” estão se tornando “direitos”, algo que gera consequências danosas.  A princípio, pode parecer algo bastante inócuo decidirmos que as pessoas têm direito a coisas como educação, emprego, moradia e tratamento médico.  Mas se analisarmos mais detidamente as conseqüências, veremos que o funcionamento da ética do trabalho e da economia será violentamente desbalanceado caso as pessoas aceitem essas ideias.

Primeiramente, outras pessoas precisam pagar por coisas como saúde.  E essas pessoas também têm contas para pagar e famílias para sustentar, assim como você.  Se houver um “direito” à saúde, então você estará obrigando essas pessoas a bancar esse serviço para você.

É óbvio que, se aqueles obrigados a pagar pela saúde dos outros fossem abertamente tratados como escravos destes, as faculdades de medicina rapidamente se esvaziariam.  Mas como o governo fez um bom trabalho em nos convencer de que a saúde é um direito ao invés de um bem, ele também generosamente se prontificou a atuar como o intermediário, diluindo a noção da escravidão.  Políticos são muito bons em fazer parecer que os tratamentos médicos serão gratuitos para todos.  Mas nada poderia estar mais distante da realidade.  O governo não quer que você pense muito sobre como os hospitais serão financiados, ou como você, de alguma forma, irá ganhar algo em troca de nada na arena médica.  Apenas nos pedem que confiemos neles, os políticos, pois, de alguma forma, tudo vai dar certo.

Saúde pública é algo que nunca funciona da maneira em que as pessoas foram iludidas a acreditar que funcionaria antes de ser implementada.  Os cidadãos dos países onde a saúde é estatal jamais teriam aceitado esse sistema caso soubessem antecipadamente sobre os racionamentos e as longas filas.

Quando os burocratas assumem o controle da medicina, os custos aumentam e a qualidade despenca, pois os médicos perdem cada vez mais tempo mexendo com a papelada e dedicam cada vez menos tempo ao atendimento dos pacientes.  À medida que os custos vão disparando – como sempre ocorre quando burocratas assumem as rédeas de qualquer empreendimento – o governo terá de confiscar cada vez mais dinheiro de uma economia já soçobrada, para de alguma forma conseguir pagar as contas.

Como já vimos inúmeras vezes, quanto mais dinheiro e poder o governo tem, maiores serão o abuso e a depravação.  O aspecto mais estarrecedor dessa política de saúde pública é que, em algum momento, inevitavelmente haverá a necessidade de se cortar custos.  E, como todos estarão obrigados a recorrer a tais serviços (por pura falta de opção), isso poderá significar o cancelamento de serviços vitais.  E como a participação será obrigatória, nenhuma alternativa legítima estará disponível.

Será o governo (isto é, o contribuinte) quem irá pagar todas as contas, obrigando os médicos e os hospitais a dançar de acordo com a música estatal.  Ter de sujeitar a nossa saúde a essa insanidade burocrática é possivelmente o maior perigo que enfrentamos atualmente.  A maior ironia de tudo é que, ao transformar o bem ‘saúde’ em um direito, a nossa vida e a nossa liberdade serão colocadas em risco.

Ao invés de retirar os serviços de saúde do mercado, temos de implantar um genuíno livre mercado nos serviços de saúde – um mercado que fortaleça os indivíduos, e não os burocratas.

Fonte: Instituto Von Misses 

Ron Paul é médico e congressista republicano do Texas e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2012. Seu website: http://www.campaignforliberty.com

 

Infelizmente poucos pensam e levantam a bandeira a voz contra a socialização da medicina. Poucos percebem os males de uma medicina socializada e muitos caem na armadilha que a medicina socializada ajuda aos pobres e fica contra o “capitalismo selvagem”. Primeiro engano é que socializar a medicina é que nos torna reféns do capitalismo de estado sem livre concorrência, sem livre mercado. Não é exatamente isso que acontece no mercado de Oxigênio somente uma empresa fornece para todos, tente entrar no mercado, primeiro que não conseguirá, não receberá autorização do governo. Cito apenas o oxigênio, sendo apenas uma empresa e o governo bloqueando a concorrência o que acontece? Preços nas alturas.

Como as grandes empresas do complexo industrial-farmacêutico adquiriram o vasto poder que têm hoje? Será que foi no livre mercado ou será que foi através do conluio que elas têm com o estado e com os políticos?  Ora, é exatamente esse corporativismo (conluio entre estado e empresas) que permite que uma empresa cresça e se torne poderosa.As corporações farmacêuticas hoje podem fabricar tranquilamente seus medicamentos a preços abusivos simplesmente porque não têm concorrência. Por quê? Porque essas grandes corporações são protegidas de duas formas: regulamentações editadas pelas agências governamentais de saúde e o monopólio de patentes. E sabe quem garante a essas corporações o monopólio das patentes? Acertou, o estado. E é exatamente a essa entidade que encarece os produtos e impede maiores inovações – a saber, o estado. As grandes e poderosas corporações só são grandes e poderosas porque cresceram em um ambiente sem concorrência. E quem possibilita esse ambiente sem concorrência é o estado e suas regulamentações. Agora, se o senhor quiser remédios bons, abundantes e baratos, não tem outro jeito: tem de haver livre concorrência. E livre concorrência é livre mercado.

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